terça-feira, 16 de agosto de 2011

Núcleo propõe filme colaborativo



Grupo fará vídeo com o tema "Amor em Foco"; ideia é estimular população a captar imagens de dois minutos
Notícia publicada na edição de 16/08/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
José Antônio Rosa
      joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br

Dois minutos para falar do amor num vídeo: esse é o tempo de que disporão os interessados de Sorocaba e Votorantim em participar do projeto "Amor em Foco", do Núcleo de Cinema e Vídeo da Secretaria de Cultura de Votorantim. A iniciativa é inspirada em "A Vida em um Dia" ("Life in a Day") produção de Ridley Scott, dirigida por Kevin Macdonald, vencedora do Sundance Festival. Na versão rodada em vários lugares do mundo, Scott e Macdonald compilaram quase 5 mil horas de imagens postadas na internet com relatos de pessoas anônimas sobre o sentido da própria existência. Foram registrados fatos que ocorreram nas vidas dos realizadores no dia 24 de julho de 2010. A equipe editou mais de 80 mil clipes (ou 4,5 mil horas de filmagem) para gerar o produto final, com 90 minutos de duração e 1.025 vídeos.

Agora, informa o coordenador da atividade do Núcleo de Cinema de Votorantim, Marcelo Domingues, a proposta é fazer com que cineastas, amadores ou não, e aficcionados façam o mesmo usando qualquer mídia para reproduzir sua leitura do gesto de amar. Vale usar telefone celular, câmera HD, ou equipamentos mais sofisticados. A abordagem é livre. O realizador tanto pode gravar uma participação, quanto mostrar situações que traduzam o sentimento. Esta é, ao que se sabe, a primeira experiência de filme colaborativo realizada na região (lembrando que podem se inscrever apenas realizadores das duas cidades). 

"A figura de um animal de estimação, a homenagem prestada a alguém que já se foi, um abraço entre amigos, o sorriso, tudo enfim, pode servir de inspiração", comenta Domingues. Os trabalhos serão, depois de entregues, editados e ganharão a forma de um filme que será exibido dentro da programação do CineFest Votorantim, a se realizar em novembro naquela cidade. Conforme o cronograma divulgado ontem, os vídeos deverão ser entregues entre os dias 14 e 16 de setembro, das 9h às 20h, no Aquário Cultura. 

O material pode ser gravado em DVD, fita, cartão de memória, ou qualquer outro formato, desde que não ultrapasse a duração de dois minutos. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3243-1191, ou nos endereços eletrônicos www.navvot.blogspot.com; nucleo-votorantim.blogspot.com e www.secvotorantim.blogspot.com.

domingo, 3 de julho de 2011

Eduardo Coutinho


Eduardo Coutinho, um dos mais importantes nomes do documentário brasileiro, teve uma formação que passou pelo cinema, teatro e jornalismo, tendo inclusive cursado a faculdade de Direito em SP. Seu trabalho é caracterizado pela profundidade e sensibilidade com que aborda problemas e aspirações da grande maioria marginalizada, seja em favelas, no sertão ou na boca do lixo. Político, sem ser panfletário, traz a emoção humana sem sentimentalismo nem truques. Apenas expõe a realidade com um olhar atento e compreensivo, dando a voz (ao invés de manipular) e concedendo, na montagem, o tempo necessário em cada plano para que a     verdade das "personagens" possa se desvelar para a lente
Coutinho teve seu primeiro contato com o cinema no Seminário de Cinema do Masp, em 1954, dirigido por Marcos Marguliès. Foi revisor e copidesque da revista Visão (1954-1957) e segue para a França estudar no Institut des Hantes Études Cinématographiques (IDHEC) onde, durante esse período, passa também por uma experiência teatral, dirigindo "Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado. Em 1960, já de volta ao Brasil, faz assistência de direção na peça "O Quarto de Despejo", de Eddy Lima, e integra-se ao CPC trabalhando na montagem da peça "Mutirão em nosso Sol", no núcleo de Chico de Assis, encenada durante o I Congresso dos Trabalhadores Agrícolas em Belo Horizonte (1962)
Inicia sua carreira cinematográfica na ficção, dirigindo e roteirizando longas em parcerias com Leon Hirzsman, Eduardo Escorel, Bruno Barreto e Zelito Viana. Entre as filmagens desses longa-metragens, integra-se a vários projetos do CPC da UNE, que lhe possibilitaram os primeiros passos no caminho de documentarista.
Esse período iniciou-se com a gerência de produção no episódio Pedreira de São Diogo, de Cinco Vezes Favela, dirigido por Leon Hirzsman. Abandona a equipe para dirigir no projeto UNE-Volante, em que documentava as várias cidades por onde passava o grupo (que jamais foi montado). Nessa época conhece (em Sapé, Paraíba) Elisabeth Teixeira, viúva do líder de ligas camponesas João Pedro Teixeira, assasinado em uma manifestação. Escolhido pelo CPC da UNE para dirigir o próximo longa após Cinco Vezes Favela, Coutinho propõe a realização de um longa em ficção sobre a vida de João Pedro Teixeira (após a recusa de João Cabral de Melo Neto de transformar em filme os poemas O Rio e Morte e Vida Severina) dando início ao projeto de Cabra Marcado para Morrer, ainda na versão ficção. O elenco seria composto pelos próprios camponeses que foram protagonistas do protesto, e a equipe contava com nomes como Vladimir Carvalho, Fernando Duarte, Marcos Farias e Cecil Thiré. As filmagens foram bruscamente interrompidas pelos militares, que acreditavam ser um filme produzido por cineastas comunistas cubanos.
Com a interrupção de Cabra Marcado, Coutinho trabalha em vários projetos no campo da ficção: ajuda Leon Hirszman em Maioria Absoluta, roteiriza A Falecida e Garota de Ipanema, do mesmo diretor. Dirige um dos episódios de ABC do Amor, (O Pacto), uma co-produção com a Argentina e o Chile e atua como diretor substituto no longa-metragem O Homem que Comprou o Mundo. Na produtora SAGA (criada com a intenção de realizar filmes capazes de dialogar com o grande público), dirige Faustão, inspirado na obra de Shakespeare (que fala da luta de classes e de pai e filho na região do cangaço). Ainda colabora, nessa época, nos roteiros de Os Condenados, de Zelito Viana; Lição de Amor, de Eduardo Escorel e Dona Flor e seus dois Maridos, de Bruno Barreto.
Em 1975 integra-se à equipe do Globo Repórter, onde ficou durante nove anos e, segundo o próprio Coutinho, foi uma grande escola que o fez optar pela carreira de documentarista. A equipe (que contava com nomes como Paulo Gil Soares, João Batista de Andrade, Fernando Pacheco Jordão, Washington Novaes e colaboradores como Hermano Pena, Jorge Bodansky, Oswaldo Caldeira e Alberto Salvá) apesar da censura da época, tinha controle sobre todo o processo e trabalhava com relativa liberdade. Os médias documentários em 16mm eram o "sujo" que maculava o padrão Globo de qualidade, tornando-se um diferencial também pela abordagem aprofundada dos temas. Nessa época, realizou Seis Dias em Ouricuri (sobre a seca e a dificuldade de trabalho no sertão), O Pistoleiro de Serra Talhada (sobre o banditismo no nordeste), O Imperador do Sertão (sobre o coronel Teodorico Bezerra) e O Menino de Brodósqui (sobre o pintor Portinari).
Os três primeiros filmes realizados no nordeste foram uma preparação para a retomada de Cabra Marcado para Morrer, documentário que tornou-se um dos marcos na história do cinema brasileiro, ganhando doze prêmios internacionais (Tucano de Ouro no Fest Rio/ 85, Coral de melhor documentário em Havana, Festival du Réel, em Paris, Festival de Berlim, Festival de Tróia/Portugal, Salso, na Itália, entre outros). O roteiro conta a história da filmagem interrompida pelos militares e narra a trajetória de Elisabeth Teixeira e seus filhos durante os dezessete anos que se passaram entre o antigo projeto de ficção e as filmagens do documentário.
Após o sucesso de Cabra Marcado, Coutinho sai da equipe do Globo Repórter e passa a dedicar-se à produção de documentários em vídeo, além de roteiros de séries para a TV Manchete, como 90 Anos de Cinema Brasileiro e Caminhos da Sobrevivência, de Washington Novaes (sobre poluição em SP). Em 1988 (centenário da abolição), é estimulado por Aspázia Camargo, secretária de Cultura no RJ, a realizar um longa-metragem sobre o negro na História Brasileira - inicia, então, O Fio da Memória, tendo como personagem central o artista negro Gabriel Joaquim dos Santos. Filmado originalmente em 16mm, o documentário só foi concluído após quatro anos, em parceria com os canais Lê Sept e Channel Four (Inglaterra). Em seguida, seguiu com a produção de documentários em video, da qual podemos destacar os seguintes média-metragens: Boca do Lixo (sobre catadores de lixo da região de São Gonçalo, RJ); Santa Marta-duas semanas no Morro (sobre a vida nessa favela); Volta Redonda - Memorial da Greve (sobre o memorial de Niemeyer, a partir das mortes de operários em uma greve); O Jogo da Dívida (sobre dívida externa brasileira); A Lei e a Vida (meio ambiente na nova Constituição Brasileira) e Romeiros do Padre Cícero (romaria a Juazeiro).
A partir de 1999, volta à direção de longa-metragens em video digital (posteriormente transferidos para 35mm), realizando Santo Forte (sobre religiosidade popular, através de depoimentos de moradores da favela Vila Parque da Cidade, RJ), premiado como melhor filme no Festival de Brasília. Em seguida, seguindo os mesmos moldes, filma o longa-metragem Babilônia 2000, no morro da Babilônia, RJ. Do mesmo modo que em Santo Forte, o filme é calcado em depoimentos de moradores, que na virada de 1999 para 2000, dessa vez revelam seus sonhos, frustrações e expectativas para o terceiro milênio.

Filmografia
Roteirista e Diretor:
1966: ABC do Amor (2o. Episódio: O Pacto) (ficção, 35mm);
1968: O Homem que Comprou o Mundo (ficção, 35mm);
1970: Faustão (ficção, 35mm);
Globo Repórter (médias-metragens) - redator, diretor e editor
1976: Seis Dias de Ouricuri /Pistoleiro da Serra Talhada;
1978: Teodorico, Imperador do Sertão;
1980: Portinari, o Menino de Bodosqui;
1981-1984: Cabra Marcado para Morrer (documentário, 35mm)
1987: Santa Marta: Duas Semanas no Morro (média documentário em vídeo);
1989: Volta Redonda, o Memorial da Greve (média documentário em vídeo)
1989: O Jogo da Dívida (média documentário em vídeo)
1991: O Fio da Memória (documentário, 35mm) (Cem Anos de Abolição);
1992: Boca de Lixo (média documentário em vídeo); (rot/dir); e A Lei e a Vida (média documentário em vídeo)
1994: Os Romeiros do Padre Cícero; (média documentário em vídeo)
1999: Santo Forte (documentário, 35mm)
2000: Babilônia 2000 (documentário, 35mm)
2002: Edifício Master
Como roteirista:
1965: A Falecida, dirigido por Leon Hirszsman (ficção 35mm);
1967: Garota de Ipanema, dirigido por Leon Hirszsman (ficção 35mm);
1973: Os Condenados, dirigido por Zelito Viana (ficção 35mm);
1975: Lição de Amor, dirigido por Eduardo Escorel (ficção 35mm);
1976: Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto (ficção 35mm);
1985-1986: Episódio de "Caminhos da Sobrevivência" (série para TV Manchete de Washington Novaes)
1988: 90 Anos de Cinema Brasileiro (série para TV Manchete em vídeo);

domingo, 29 de maio de 2011

As sete faces do Dr, Lao - 1964

Polêmica no filme "Três Solteirões e um bebê"

Mário Peixoto

Limite – A trajetória de um filme:


A inspiração para a  realização do filme,   conforme o próprio Mário Peixoto foi de um cartaz de uma fotografia por André Kertesz na 74. edição da revista francesa VU, visto por acaso num passeio pelas ruas de Paris, em 1929 em sua viagem com o seu pai, para a criação final do filme , porém foi a partir do final que ele constrói o esboço da história.  


A linguagem da foto de uma mulher  abraçada por um homem algemado, foi a estrutura do cenário do filme,o estilo criado para o desenvolvimento da linguagem visual  para a história, onde o tema propõem a percepção poética nas imagens entre o limite de homens e mulheres.

As filmagens  foram produzidas na  fazenda Santa Justina de seu primo Victor de Souza Breves, no município de Mangaratiba,começaram em meados de 1930,um filme mudo, com músicas clássica no tema como: Borodin, Cesar Frank, Debussy, Prokofieff, Ravel, Satie e Strawinsky , foi utilizado filme pancromático material importado com alta sensibilidade para escalas de cinza, a  direção de  fotografia  foi realizada por Edgar Brazil.

Sua primeira exibição foi em 17 de maio de 1931, no teatro Capitólio, na cidade do Rio de Janeiro. Apesar de apresentar criticas boas, sua recepção diante ao público foi negativa e não teve  distribuição comercial.

Limite foi o seu único filme acabado. Peixoto também teve outros projetos,mas por motivos financeiros e pessoais ficam inacabados, como "Onde A Terra Acaba (1931)", mesmo ano que filmava Limite,"Constância e Mormaço (1936)", entre outros.

Dentro destes projetos de roteiros, escreveu poemas e o livro "O inútil de cada um" , com seis volumes e apenas um volume foi lançado em 1984, em 1964 junto com  Saulo Pereira de Mello "Outuno/O jardim petrificado". O filme Limite é considerado o melhor filme brasileiro, por cineastas nacionais,e pela sua poesia muda.   
                                                                               




 Biografia :
Mário Rodrigues Breves Peixoto (Bruxelas, 25 de março de 1908 — Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1992) foi um cineasta, roteirista e escritor brasileiro.
É autor de livros como o romance O inútil de cada um (1984), Outono - Jardim petrificado (roteiro) e Escritos sobre Cinema (2001) e Poemas de Permeio com o Mar (2002). 

Amácio Mazzaropi


Ator, produtor e diretor paulista
09/04/1912, São Paulo (SP)
13/06/1981, São Paulo (SP)


Mazzaropi nasceu no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Aos 18 anos fugiu de casa para acompanhar o espetáculo ambulante do faquir Ferris. Viajando pelo interior do país, teve a idéia de fazer o papel de caipira. Em 1940, criou a sua Companhia de Teatro de Emergência, que atuava no chamado Pavilhão Mazzaropi, um barracão de zinco que montava e desmontava.

Depois, criou a Trupe Mazzaropi, com repertório fixo. Em 1948, foi contratado pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, onde trabalhou no programa "Rancho Alegre", dirigido por Cassiano Gabus Mendes. 

Convidado pela Vera Cruz, em 1951, fez seu primeiro filme: "Sai da Frente". Em 1958, com recursos próprios, comprou uma fazenda em Taubaté e montou a Produções Amácio Mazzaropi - Pam Filmes. O primeiro filme que fez foi "Chofer de Praça".

No ano seguinte, com "Jeca Tatu", encarnando o personagem criado por Monteiro Lobato, o típico caipira de calças pula-bejo, paletó apertado, camisa xadrez e botinas, conquistou a maior bilheteria do cinema nacional. O sucesso persistiu nas décadas de 1960 e 1970.

Ao todo, Mazzaropi fez 32 longas-metragens, contando histórias que abordavam o racismo, a religião, a política e até a ecologia, com simplicidade e bom humor, falando "a língua do povo", para o povo que o adorava. Mesmo sendo considerado superficial pela crítica e pela elite intelectual, deixou uma marca indelével na cultura nacional. Seus filmes ainda atraem o público no interior do país e são encontráveis em vídeo e DVD.


Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u559.jhtm

domingo, 15 de maio de 2011

40 anos de LARANJA MECÂNICA

Na edição do Festival de Cinema de Cannes deste ano, Stanley Kubrik será um dos homenageados. O evento exibirá 14 clássicos, entre eles, uma versão restaurada de "Laranja Mecânica". Para marcar os 40 anos do filme, ele será exibido no dia 19 de maio, com a presença do protagonista, Malcom Mcdowell.